CMEI VILA LORENA

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Refletindo sobre a prática



O que representam sete dias para você????




Refletir sobre o tempo não foi uma tarefa muito fácil mas concluímos que o tempo cronológico/institucionalizado deve caminhar junto com o tempo subjetivo para que possamos construir bases solidas para o trabalho desenvolvido.

Para enriquecer nossas discussões:





Na literatura, a obra Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll (2002), tem seu início marcado pela relação entre a personagem principal e o tempo:

Era uma vez uma menina que caiu em um poço profundo e após um pouso suave viu um coelho que
passava, apressado, atrasado, mas, por mais que procurasse segui-lo, não conseguia alcançá-lo...

A ideia de um coelho correndo atrás do tempo chama atenção. O que significa um relógio no qual os
ponteiros giram ao contrário, como o que o coelho carrega no peito? Na história, o coelho passa várias vezes pela menina, sempre dizendo que está atrasado. Atrasado para o quê? Na seqüência da narrativa, ao sonhar, Alice se depara com um outro relógio. Dessa vez, o objeto aparece nas mãos de um chapeleiro. Ao prestar atenção nele, Alice percebe que seus ponteiros não marcam as horas, apenas os dias. Durante a conversa com o chapeleiro, a menina observa o lugar e estranha a presença de uma enorme mesa de chá.
Descobre, então, que naquele local são sempre cinco horas e que somente os dias se modificam. Em um dos momentos da conversa, o chapeleiro diz a Alice:

É estranho o tempo. Ele é bem complicado. Se brigamos com o tempo, se ele é maltratado, chovem,
então, contratempos, e eles fundem nossa cuca. Foi o tempo que deixou a lebre assim tão maluca.  

O sonho da menina levanta uma questão relativa à linearidade do tempo. O coelho sempre atrasado e o relógio do chapeleiro nos fazem pensar sobre a rotina, o automático das ações e a pouca reflexão nos fazeres. Uma sensação estranha que nos envolve alguns dias quando, mesmo após uma noite de sono, parece que o novo dia é o dia anterior vivido novamente.

Motivo de angústia e de insatisfação para muitos, o tempo tem destaque especial na música. Nela, ele aparece como parceiro, algoz, como solução para sentimentos afetivos desagradáveis e, também, como promessa de dias melhores, “um novo tempo, apesar dos perigos... pra recomeçar” (Ivan Lins).  Cazuza, com o seu “O tempo não pára”, Renato Russo, “Tempo perdido”, outros autores tentaram e tentam traduzir em canções sentimentos múltiplos e particulares.Além de  (Jonh) "Sobre o tempo"
Tempo tempo mano velho
Falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã
Tempo tempo mano velho
Vai, vai, vai...
Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final...

O tempo está presente também na poesia de Drummond e de outros grandes poetas como Mario Quintana.
O tempo
O despertador é um objeto abjeto
Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem nós, para não parar
E todas as manhãs nos chama freneticamente como um
velho paralítico a tocar a campainha atroz.
Nós é que vamos empurrando, dia a dia, sua cadeira de rodas.
Nós os seus escravos.
Só os poetas
os amantes
os bêbados
podem fugir por instantes
ao Velho... Mas que raiva impotente dá no Velho
quando encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas as suas cadeiras
de roda!
Porque elas, simplesmente, o ignoram... (Mario Quintana, 1995).

Na obra A persistência da memória, Salvador Dali (1931) faz uma crítica ao tempo, trazendo relógios que parecem se desfazer assim como o tempo.


A persistência da memória – Salvador Dali (1931)

A questão do tempo está presente nas mais diferentes formas de explicação da vida humana. Indo à
mitologia, encontramos a figura enigmática de Cronos. Na mitologia grega, Cronos era filho de Urano (o céu) e de Gaia ou Gê (a terra). Incitado pela mãe e ajudado pelos irmãos, os Titãs, castrou o pai – o que separou o céu da terra – e tornou-se o primeiro rei dos deuses. Seu reinado, porém, foi ameaçado pela profecia de que um de seus filhos o destronaria. Por isso, Cronos devorava todos os filhos. Um dia, sua mulher, Réia, conseguiu salvar um deles, Zeus. Quando Zeus cresceu, arrebatou o trono do pai, conseguiu que ele vomitasse os outros filhos, ainda vivos, e o expulsou do Olimpo, banindo-o para o Tártaro, local de tormento. Segundo a tradição clássica, Cronos simbolizava o tempo e por isso Zeus, ao derrotá-lo, conferira a imortalidade aos deuses.

No campo da antropologia, um interessante debate sobre esse tema foi apresentado por DaMatta (1991). Segundo o autor, a sociedade brasileira é singular no que diz respeito ao espaço e ao tempo. De acordo com ele, temos muitas temporalidades que convivem simultaneamente. O autor pontua que o tempo e o espaço são invenções sociais e traz dois exemplos para ilustrar a sua afirmação. O primeiro é o da sociedade apinayé que marca uma duração ou um evento do passado fazendo referência a um parente mais velho. O segundo é o do povo nuer que divide o ano em dois grandes períod
os que correspondem à cheia dos rios e à sua vazante. De acordo com o autor, o povo nuer não possui em sua língua uma expressão equivalente à palavra tempo.

Também para Norbert Elias (1998), o tempo não existe em si mesmo, ele é antes de tudo um símbolo
social, resultado de um longo processo de aprendizagem. Partindo dessa ideia, o autor demonstra a
construção histórico-social na qual o “tempo” foi produzido. Para ele, isso é um dado subjetivo e social que foi enquadrado pelo homem moderno na física, no intuito de transformá-lo num dado objetivo e mensurável. Nesse sentido, Elias considera o tempo como uma função social reguladora da vida humana, parte de um processo civilizador que o homem criou para coagir a si próprio.

Pensar o tempo dentro dessa rede de relações e desses modos de produção, como propõe Elias, nos ajuda a vislumbrar melhor a questão de sua importância na formação da sociedade moderna. Assim, podemos também pensar as interações nas instituições. Que relações há entre o tempo e o cotidiano infantil? Como são administrados ritmos e diferenças nas turmas com crianças na creche e pré-escola? Que possibilidades a organização do tempo prevê? Qual é o tempo destinado a atividades dirigidas pelos adultos e explorações organizadas pelas crianças?

Para compreender melhor como essas relações se apresentam também assistimos a alguns videos e participamos de uma proposta de trabalho que nos fez sentir na pele como o tempo está presente em nosso cotidiano.

Ufa esse foi só o 1° dia... Quantas reflexões e considerações!
A semana promete!!!!!